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Capítulo 7 – Planeta azul: as águas da Terra

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Capítulo 7 – Planeta azul: as águas da Terra

Resumo completo

Capítulo 7 – Planeta azul: as águas da Terra

Resumo completo

1A água no planeta Terra

A Terra é chamada de planeta azul porque a água cobre cerca de 70% da superfície dela. Essa água está nos rios, nos mares, nos oceanos, no gelo das calotas polares e até no ar que respiramos.

Quanto à composição, a água pode ser doce ou salgada. A água salgada tem muitos sais minerais dissolvidos; a doce tem pouquíssimos sais.

Muita água, porém, não quer dizer muita água para beber. A maior parte é salgada, e a parte doce está quase toda presa em geleiras ou embaixo da terra. Por isso a água boa para o consumo é um recurso raro e precisa ser bem cuidada.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo: imagine 1 000 copos representando toda a água do planeta. Passo 1: 975 copos seriam de água salgada (97,5%). Passo 2: só 25 copos seriam de água doce (2,5%). Passo 3: desses 25, cerca de 17 estariam congelados em geleiras e 7 seriam água subterrânea. Passo 4: menos de 1 copo estaria em rios e lagos, que é a água mais fácil de usarmos.

Distribuição da água na Terra

Tipo de águaPorcentagemOnde está
Água salgada97,5%Oceanos e mares
Água doce2,5%Geleiras, subsolo, rios e lagos

Do total de água doce (2,5%)

ReservatórioPorcentagem
Geleiras e neve68,7%
Água subterrânea30,1%
Outros reservatórios0,9%
Superfície terrestre (rios e lagos)0,3%

2Águas oceânicas

As águas oceânicas são as imensas massas de água salgada do planeta. Elas se formaram há milhões de anos, com a movimentação das placas tectônicas.

Vários fatores ajudaram a formar essa água: reações químicas de elementos da atmosfera, chuvas provocadas por erupções de vulcões antigos e até asteroides, meteoros e cometas que bateram na Terra.

A água do mar é salgada porque a chuva e o vento desgastam as rochas. Os minerais soltos são levados pelos rios até o mar. As atividades de vulcões debaixo d'água também soltam substâncias que aumentam essa salinidade.

A Organização Hidrográfica Internacional (OHI), da qual o Brasil faz parte, divide essas águas em cinco oceanos e em vários mares.

Exemplos

  • Exemplo: por que o Mar Morto é chamado de mar e não de lago? Passo 1: ele fica no interior de um continente. Passo 2: não se comunica com nenhum oceano. Passo 3: mas suas águas são salgadas. Conclusão: por ser salgado, é classificado como mar fechado.

Oceano x Mar

ConceitoO que éExemplos
OceanoGrande volume de água salgada que separa os continentesAtlântico, Pacífico, Índico
MarPorção do oceano, com extensão e profundidade menoresMar do Caribe, Mar Negro, Mar Morto

Tipos de mares

TipoCaracterísticaExemplos
AbertoFica na costa dos continentes e se comunica bem com o oceanoMar do Norte, Mar da China, Mar do Caribe
InteriorQuase cercado por terras; liga-se ao oceano por estreitos e canaisMar Negro, Mar Vermelho, Mar do Japão, Mar Mediterrâneo
FechadoFica todo dentro do continente, sem ligação com o oceano; a água é salgadaMar Cáspio, Mar Morto, Mar de Aral

2.1Conhecendo os cinco oceanos

Cada oceano tem tamanho, localização e importância diferentes. Guarde bem dois recordes: o Pacífico é o maior em tamanho e o Atlântico é o mais usado para o comércio.

O Atlântico ficou muito importante desde as Grandes Navegações (séculos XV e XVI), quando os europeus cruzaram suas águas para comerciar com as colônias. Foi por ele que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

Os dois oceanos glaciais (Ártico e Antártico) ficam congelados a maior parte do ano. Por isso quase não têm navegação, mas são muito importantes para a vida marinha e para a ciência.

Exemplos

  • Exemplo: por que o Oceano Glacial Ártico é pouco navegável? Passo 1: ele fica perto do Polo Norte. Passo 2: permanece congelado quase o ano todo. Passo 3: mesmo no verão, blocos de gelo flutuantes (icebergs) deixam a navegação perigosa.
  • Exemplo: por que o Oceano Índico é estratégico? Passo 1: ele banha boa parte do Oriente Médio. Passo 2: o Oriente Médio tem os maiores produtores de petróleo do mundo. Passo 3: logo, o petróleo sai por rotas marítimas do Índico para o resto do planeta.

Características dos cinco oceanos

OceanoExtensão aproximadaOnde fica / o que banhaDestaque
Atlântico80 milhões de km²Entre América, Europa e ÁfricaO mais usado no comércio; tem a Dorsal Meso-Oceânica com vulcões
Pacífico165 milhões de km²Oeste das Américas e leste da Ásia e OceaniaO maior de todos; tem as maiores profundidades; 2º no comércio
Índico74 milhões de km²Sul e sudeste da Ásia, leste da África, oeste da Oceania3º maior; escoamento do petróleo do Oriente Médio; ilhas de Madagascar e Ceilão
Glacial Ártico14 milhões de km²Perto do Polo Norte (Alasca, Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia)Congelado quase o ano todo; pouco navegável (icebergs)
Glacial Antárticopouco mais de 20 milhões de km²Ao redor de toda a AntárticaLimites definidos em 2000; grande santuário marítimo, rico em alimento e vida

2.2Movimentos das águas oceânicas

A água do mar nunca fica parada. Ela se movimenta por causa dos ventos, das diferenças de temperatura, da rotação da Terra e da atração da Lua e do Sol.

As ondas são ondulações na superfície da água, quase sempre causadas pelo vento. Quando uma perturbação muito forte acontece (maremoto, vulcão submarino, movimento de placas ou queda de geleiras), formam-se ondas gigantes e destruidoras chamadas tsunamis.

As marés são as subidas e descidas do nível do mar ao longo do dia. Elas acontecem porque a Lua e o Sol puxam a água da Terra. Em Hopewell Rocks, no Canadá, a diferença entre a maré alta e a baixa chega a 18 metros!

As correntes marítimas são grandes massas de água que se deslocam pelos oceanos, como se fossem rios dentro do mar. Elas podem ser quentes ou frias e influenciam o clima e a vida marinha.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo (tsunami): Passo 1: acontece um terremoto no fundo do mar. Passo 2: o fundo se desloca e empurra uma enorme quantidade de água. Passo 3: forma-se uma onda gigante que viaja rápido. Passo 4: ao chegar na costa, ela cresce e pode destruir cidades litorâneas.
  • Exemplo (correntes e óleo): manchas de óleo derramadas longe do Brasil chegaram ao litoral do Nordeste levadas pela corrente Sul Equatorial. Isso mostra que a poluição viaja com as correntes e atinge lugares distantes de onde o acidente aconteceu.

Movimentos das águas oceânicas

MovimentoO que éCausa principal
OndasOndulações na superfície da águaAção dos ventos
TsunamisOndas gigantes e destruidorasMaremotos, vulcões submarinos, placas tectônicas, colapso de geleiras
MarésSubida e descida do nível do marAtração da Lua e do Sol
Correntes marítimasGrandes massas de água que se deslocam pelos oceanosTemperatura, latitude, ventos e rotação da Terra

Correntes quentes x correntes frias

TipoTrajetoEfeito no climaEfeito na vida marinha
FriaDas regiões frias para as mais quentesBaixa umidade; associada à formação de desertosCarrega microrganismos que alimentam os peixes
QuenteDistribui o calor absorvido pelos oceanosÚmida; ameniza o inverno e traz chuvasPresente em regiões chuvosas do mundo

2.3Atividades econômicas e contaminação dos oceanos

Os oceanos são caminhos para o comércio. Navios levam produtos e pessoas todos os dias, e o transporte marítimo é um dos mais baratos que existem. Por isso há grandes portos e muitas indústrias no litoral.

Do fundo do mar também tiramos recursos: sal, gás natural e petróleo. Hoje a tecnologia permite retirar petróleo de jazidas a até 8 000 metros de profundidade. As marés, ondas e correntes ainda podem gerar energia limpa, que não polui e não se esgota.

A pesca alimenta cerca de 2,6 bilhões de pessoas. Mas a pesca predatória e a poluição estão reduzindo a vida marinha. Uma solução é a aquicultura: criar peixes, algas, moluscos e crustáceos em fazendas no mar.

Mesmo assim há problemas. Restos de ração e excrementos dos criadouros podem poluir e destruir manguezais. Esgoto sem tratamento, lixo nas praias, rios poluídos e derramamentos de petróleo causam desequilíbrio ecológico e matam espécies.

Exemplos

  • Exemplo (Terminal Salineiro de Areia Branca, RN): o sal marinho é retirado onde a evaporação é intensa e a água é mais salgada, como na região dos trópicos. O Rio Grande do Norte é o estado que mais produz sal no Brasil.
  • Exemplo passo a passo (derramamento de petróleo): Passo 1: o óleo cai no mar. Passo 2: as correntes espalham as manchas pelo litoral. Passo 3: peixes morrem e as praias ficam sujas. Passo 4: o turismo e a pesca perdem dinheiro e as comunidades que vivem da pesca ficam sem sustento.

Usos dos oceanos e problemas causados

Uso / atividadeBenefícioProblema possível
Transporte marítimoMeio barato de levar mercadoriasVazamento de óleo e acidentes com navios
Extração de petróleo e gásFonte de energia e matéria-primaDerramamento e poluição das águas
Extração de salAlimento e uso industrialAlteração de áreas costeiras
PescaAlimento para 2,6 bilhões de pessoasPesca predatória reduz a vida marinha
AquiculturaReduz a pesca predatória e produz alimentoRestos de ração e excrementos poluem manguezais
Energia das marés e ondasNão polui e não se esgotaPrecisa de estrutura cara para ser instalada

3Águas continentais

As águas continentais são as águas que ficam dentro dos continentes. São elas que mais usamos: para beber, cozinhar, tomar banho, transportar cargas, fabricar produtos e gerar energia.

Essas águas aparecem em dois estados. No estado líquido, estão em rios, lagos, represas, aquíferos e lençóis freáticos. No estado sólido, estão em geleiras, calotas polares e no cume de montanhas altas.

Apesar do nome, a água doce não tem sabor doce. Ela é chamada assim só porque tem pouquíssimos sais minerais, diferente da água do mar.

3.1Ciclo da água (ciclo hidrológico)

O ciclo da água é o caminho que a água faz na natureza, sem parar. É ele que garante que esse bem não acabe.

O Sol aquece a água de oceanos, rios, lagos e represas e ela vira vapor: é a evaporação. As plantas também soltam vapor, no processo chamado evapotranspiração.

O vapor sobe, esfria e forma gotículas que se juntam nas nuvens. Quando as nuvens ficam carregadas, acontece a precipitação: chuva, neve ou granizo.

A água que cai forma geleiras, se infiltra no solo, alimenta rios, lagos e oceanos, ou escorre pela superfície. E tudo recomeça.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo do ciclo: 1) O Sol aquece o mar e a água evapora. 2) O vapor sobe e esfria, formando nuvens. 3) A nuvem fica pesada e chove sobre a montanha. 4) A chuva infiltra no solo e alimenta um rio. 5) O rio corre até o mar carregando minerais, e o ciclo recomeça.

Três caminhos da água da chuva ao chegar na superfície

ProcessoO que aconteceResultado
EvaporaçãoA água volta à atmosfera, às vezes antes mesmo de tocar o chãoForma novas nuvens
InfiltraçãoA água entra no soloForma o nível freático (raso) e os aquíferos (profundos)
Escoamento superficialA água escorre por cima do terrenoÉ recolhida por rios, lagos e mares

3.2Rios, redes e bacias hidrográficas

Os rios são cursos de água corrente que descem das áreas mais altas para as mais baixas por causa da gravidade. Eles nascem em planaltos, chapadas ou serras e geralmente deságuam no mar.

A rede hidrográfica é formada por um rio principal e seus afluentes (os rios menores que deságuam nele).

A bacia hidrográfica é toda a área de terra que drena (escoa) suas águas para um mesmo ponto de saída: um rio principal, um lago ou o oceano.

As bacias são separadas por relevos altos, como morros e serras. Essas barreiras naturais se chamam divisores de águas ou interflúvios: elas decidem para que lado a água da chuva vai correr.

Exemplos

  • Exemplo: a Bacia Amazônica é a maior do mundo. Rios como Amazonas, Negro, Branco e Purus fazem parte dela, ou seja, todos escoam suas águas para o mesmo sistema. Quando eles secam, faltam hidrovias, água e energia para a população da região.
  • Exemplo passo a passo (divisor de águas): Passo 1: chove no alto de uma serra. Passo 2: parte da água escorre para o lado esquerdo e parte para o lado direito. Passo 3: cada lado alimenta rios diferentes. Conclusão: a serra é o divisor entre a bacia A e a bacia B.

Partes de um rio

ParteO que é
NascenteLocal onde o rio começa; a água sai do subsolo por fendas no solo
LeitoTrecho de maior incisão do canal; uma margem erode e a outra deposita sedimentos
AfluentesRios secundários que deságuam no rio principal
MeandroCurva ou sinuosidade do rio, mais comum perto da foz
FozLocal onde o rio deságua; pode ser estuário (uma saída) ou delta (várias saídas)

Algumas das principais bacias do mundo

ContinenteExemplos de bacias
AméricaAmazonas, Mississipi, Paraná, Mackenzie, São Lourenço
ÁfricaCongo, Nilo, Níger, Zambeze, Lago Chade
ÁsiaOb, Lena, Ienissei, Amur, Ganges e Bramaputra, Indo
EuropaVolga
OceaniaMurray e Darling

3.3Classificação dos rios

Os rios podem ser classificados de três jeitos: pelo clima (se secam ou não), por quem os abastece e pelo relevo em que correm.

A sazonalidade climática quer dizer 'climas que acontecem em períodos certos do ano'. Um rio perene nunca seca; um intermitente seca na estiagem e volta a encher na chuva.

Já o rio perenizado era naturalmente intermitente, mas o ser humano construiu barragens e açudes e ele passou a ter água o ano todo.

Saber o relevo é útil: rios de planalto têm quedas-d'água e servem para gerar energia; rios de planície são planos e ótimos para navegar.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: 'O Rio Purus corre o ano todo, é abastecido pelas chuvas da Bacia Amazônica e fica em região de planícies.' Passo 1: corre o ano todo → perene. Passo 2: abastecido por chuva → pluvial. Passo 3: região plana → de planície. Resposta: perene, pluvial e de planície.

Classificação dos rios

CritérioTipoExplicação
Sazonalidade climáticaPereneNão seca, mesmo que o volume diminua
Sazonalidade climáticaIntermitenteSeca na estiagem e enche na época chuvosa
Sazonalidade climáticaPerenizadoEra intermitente, mas barragens e açudes o tornaram perene
Sazonalidade climáticaEfêmeroForma-se após a chuva e desaparece rápido
AbastecimentoPluvialAbastecido pela chuva (gera cheias e vazantes)
AbastecimentoNivalAbastecido pela precipitação de neve
AbastecimentoGlacialAbastecido pelo derretimento de geleiras de altitude
AbastecimentoMistoAbastecido por mais de uma fonte
RelevoDe planaltoTem quedas-d'água; usado para gerar energia
RelevoDe planícieSem desníveis fortes; excelente para navegação

3.4Lagos e lagunas

Os lagos são grandes volumes de água represados no interior dos continentes. Eles podem ter origens diferentes: vulcânica, tectônica, de geleira ou artificial (feita pelo ser humano).

As lagunas ficam nas regiões litorâneas. A água delas pode ser doce, salobra (menos salgada que o mar) ou salgada, e são separadas do oceano por uma barreira natural de areia, rochas ou recifes de corais.

No Brasil não existem lagos naturais gigantes como o Baikal (Rússia) ou o Vitória (África). Por isso nossos lagos são chamados de lagoas, palavra que significa lago de pequenas extensões.

Exemplos

  • Exemplo resolvido (Lagoa dos Patos, RS): Passo 1: ela fica no litoral. Passo 2: é separada do Oceano Atlântico por uma faixa de terra. Passo 3: liga-se ao mar por um canal ao sul. Conclusão: ela é uma laguna.

Origens dos lagos

Tipo de lagoComo se formaExemplo
VulcânicoÁgua acumulada em cratera de vulcão inativoLago Cuicocha (Equador)
TectônicoÁgua em depressões formadas por falhas tectônicasLago Tanganica (África)
De geleiraFormado pelo derretimento de geleirasLago Manapouri (Nova Zelândia)
ArtificialCriado pela intervenção humanaLago Itaipu (Brasil–Paraguai)

4Aproveitamento econômico dos rios

Desde as primeiras civilizações as pessoas moram perto dos rios. Ali há água, peixe e terra fértil para plantar. Por isso muitas cidades nasceram às margens dos rios.

Hoje os rios continuam servindo para pesca, navegação, geração de energia, irrigação e abastecimento das casas.

A navegação acontece em hidrovias, principalmente em rios de planície. Com as eclusas (elevadores aquáticos que levam navios de um nível a outro), até rios com desníveis podem ser navegados. O transporte hidroviário é o mais barato de todos.

Exemplos

  • Exemplo (eclusa): Passo 1: o navio entra na câmara da eclusa. Passo 2: as comportas se fecham. Passo 3: a câmara enche ou esvazia de água. Passo 4: o navio sobe ou desce até o novo nível do rio e segue viagem.

Usos econômicos dos rios

UsoComo funcionaObservação
PescaPraticada no mundo todo, sobretudo para subsistênciaExiste desde os primórdios da humanidade
NavegaçãoHidrovias em rios de planície; eclusas permitem rios de planaltoTransporte mais barato que rodovias e ferrovias
Geração de energiaHidrelétricas aproveitam a queda-d'águaPrincipalmente em rios de planalto
IrrigaçãoÁgua levada para o cultivo agrícolaMais de 2/3 da água usada no mundo; há muito desperdício
AbastecimentoÁgua tratada chega às casas e indústriasCerca de 10% para uso doméstico e 20% para a indústria

4.1Demanda versus oferta de água

Demanda é o quanto as pessoas precisam de água; oferta é o quanto de água existe disponível. O problema é que a água doce fácil de usar é pouca e mal distribuída pelo planeta.

Algumas regiões têm rios enormes; outras quase não têm água. Além disso, a poluição e a degradação dos mananciais diminuem ainda mais a oferta.

A agricultura é a atividade que mais consome água no mundo: cerca de 70% de toda a água usada. A indústria fica com 20% e as populações urbanas com 10%.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: se uma cidade usasse 1 000 litros de água por dia seguindo a média mundial, 700 L iriam para a agricultura, 200 L para a indústria e 100 L para as casas. Isso mostra que economizar na agricultura faz muita diferença.

Consumo mundial de água doce (estimativa)

SetorPorcentagem
Agricultura70%
Indústria20%
População urbana10%

4.2Regiões hidrográficas do Brasil

O Brasil é rico em água doce. Aqui está o Rio Amazonas, o maior rio do mundo em volume de água.

Para cuidar melhor desses recursos, o governo dividiu o país em 12 regiões hidrográficas. Cada região é formada por uma ou mais bacias.

Mesmo com tanta água, é preciso usá-la com consciência. Além da poluição das cidades e indústrias, os resíduos líquidos dos lixões penetram no solo e contaminam as águas subterrâneas, prejudicando a potabilidade (a qualidade da água para beber).

Exemplos

  • Exemplo (distribuição desigual no Brasil): um habitante do Amazonas dispõe de 700 000 m³ de água por ano, enquanto um morador da Região Metropolitana de São Paulo tem apenas 280 m³/ano. Conclusão: a água existe, mas está mal distribuída — onde há muita gente, sobra pouca água por pessoa.

As 12 regiões hidrográficas do Brasil (por área)

Região hidrográficaÁrea (km²)
Amazônica3 870 000
Tocantins-Araguaia967 059
Paraná879 860
São Francisco641 000
Atlântico Leste374 677
Paraguai361 350
Parnaíba344 112
Atlântico Nordeste Oriental287 348
Atlântico Nordeste Ocidental254 100
Atlântico Sudeste229 972
Atlântico Sul185 856
Uruguai174 612

5Consumo consciente de água

Cientistas alertam há anos: a falta de água é um dos maiores riscos do mundo. Segundo a ONU, duas em cada três pessoas terão dificuldade para acessar esse recurso.

Cada brasileiro consome cerca de 154 litros de água por dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 110 litros. Ou seja, gastamos cerca de 40% a mais do que o necessário.

Esse consumo é desigual: no Rio de Janeiro a média é de 254 litros por dia; em Alagoas, um morador gasta cerca de 98 litros. Quando uns consomem demais, falta para outros.

A solução tem duas partes: melhorar a infraestrutura (trocar tubulações e evitar vazamentos) e conscientizar a população para não desperdiçar.

📐 Para guardar

  • Consumo de uma atividade = tempo (minutos) × litros por minuto
  • Consumo da descarga = número de vezes × 12 litros

Exemplos

  • Exemplo resolvido: João tomou 10 minutos de banho, escovou os dentes por 4 minutos, lavou o rosto por 2 minutos e deu 5 descargas. Passo 1: banho = 10 × 9 = 90 L. Passo 2: dentes = 4 × 2,4 = 9,6 L. Passo 3: rosto = 2 × 2,5 = 5 L. Passo 4: descarga = 5 × 12 = 60 L. Passo 5: total = 90 + 9,6 + 5 + 60 = 164,6 litros no dia. Isso já passa dos 110 L recomendados pela OMS!

Quanto de água gastamos em cada atividade

AtividadeGasto de água
Tomar banho9 litros por minuto
Escovar os dentes2,4 litros por minuto
Lavar o rosto ou as mãos2,5 litros por minuto
Dar descarga12 litros por vez

Atitudes que economizam água

AtitudePor que ajuda
Fechar a torneira ao escovar os dentesEvita litros escorrendo sem uso
Tomar banhos mais curtosCada minuto a menos economiza 9 litros
Consertar vazamentosUm pingo constante desperdiça muitos litros por dia
Reaproveitar água da chuva e água cinzaServe para regar plantas e lavar calçadas
Usar balde em vez de mangueiraReduz muito o gasto na lavagem

6Sistema de tratamento e distribuição de água

A água que sai da torneira não vem pronta da natureza. Primeiro, a água bruta (a água como está no rio ou lago) é captada.

Depois ela vai para a estação de tratamento de água, onde as impurezas são retiradas até que ela se torne potável, ou seja, própria para beber. Se a água tiver substâncias que mudam os padrões de potabilidade, ela é considerada poluída.

Da estação, a água vai para um reservatório e é distribuída para as casas por tubulações.

Depois de usada, a água vira esgoto. Ela é recolhida pela rede de esgoto e levada a uma estação de tratamento de esgoto antes de voltar ao rio. Isso é o saneamento básico e serve para evitar a contaminação da natureza e a propagação de doenças.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo do caminho da água: 1) Nascente e rio. 2) Captação da água bruta. 3) Estação de tratamento de água. 4) Reservatório de água potável. 5) Distribuição para as casas da cidade. 6) Uso pelas pessoas (vira esgoto). 7) Rede de esgoto. 8) Estação de tratamento de esgoto. 9) Devolução da água tratada ao rio.

Etapas do saneamento básico

EtapaO que acontecePara que serve
CaptaçãoA água bruta é retirada de rios e lagosBuscar a água na natureza
Tratamento de águaRetirada das impurezasTornar a água potável
Reservatório e distribuiçãoA água é armazenada e enviada pelas tubulaçõesLevar água limpa às casas
Coleta de esgotoA água usada é recolhida pela redeEvitar esgoto a céu aberto
Tratamento de esgotoVárias etapas de limpeza antes de devolver ao ambientePrevenir poluição e doenças

7Irrigação artificial

Alguns países têm água de sobra, porque o clima é úmido e chove muito. Outros têm clima árido e semiárido, com chuvas escassas, como o Oriente Médio e o Norte da África.

Nessas regiões, cada pessoa convive com menos de 1 mil m³ de água por ano. Nos Estados Unidos e no Canadá, esse número passa de 15 mil m³ por pessoa por ano.

A irrigação artificial é a solução: levar água até a plantação por tubos e equipamentos. Assim é possível cultivar mesmo onde chove pouco.

No Brasil, a região semiárida é chamada de Polígono das Secas e abrange o Sertão nordestino e o norte de Minas Gerais. Lá a irrigação transformou o Sertão em grande produtor de frutas — mas ainda há muito desperdício por falhas de infraestrutura.

Exemplos

  • Exemplo (Arábia Saudita): Passo 1: em 1987, uma foto de satélite mostrava só deserto, sem produção. Passo 2: em 2004 instalou-se um sistema de irrigação artificial com água de um aquífero. Passo 3: em 2023, a mesma área aparece coberta de campos agrícolas circulares. Conclusão: a irrigação mudou completamente a paisagem.

Disponibilidade de água e irrigação

RegiãoSituação da águaSolução usada
Oriente Médio e Norte da ÁfricaMenos de 1 mil m³ por pessoa/anoIrrigação artificial com água de aquíferos
Estados Unidos e CanadáMais de 15 mil m³ por pessoa/anoAbundância natural de água
Polígono das Secas (Brasil)Poucas chuvas e altas temperaturasCultivo irrigado; produção de frutas no Sertão

8Resumão: o que você estudou neste capítulo

Neste capítulo você aprendeu o conceito, a formação e os movimentos das águas oceânicas.

Também viu o aproveitamento e a distribuição das águas continentais, incluindo o ciclo da água, os rios, os lagos e as lagunas.

Conheceu as principais bacias hidrográficas do Brasil e do mundo e as 12 regiões hidrográficas brasileiras.

Por fim, entendeu a importância dos recursos hídricos para a população e por que precisamos economizar e tratar a água.

Palavras-chave do capítulo

TermoSignificado curto
Águas oceânicasMassas de água salgada dos oceanos e mares
Correntes marítimasGrandes massas de água que se deslocam pelos oceanos
Ciclo da águaCaminho contínuo da água: evaporação, condensação, precipitação e escoamento
Bacia hidrográficaÁrea que drena as águas para um único ponto de saída
Divisor de águasRelevo alto que separa duas bacias
AquiculturaCriação de peixes e outras espécies marinhas em fazendas no mar
PotávelÁgua própria para o consumo humano
Saneamento básicoCaptação, tratamento e distribuição de água + coleta e tratamento de esgoto

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Capítulo 7 – Planeta azul: as águas da Terra

Resumo rápido

Capítulo 7 – Planeta azul: as águas da Terra

Resumo rápido

1A água no planeta

A água cobre cerca de 70% da superfície da Terra. Ela está nos oceanos, rios, geleiras, no solo e até no ar que respiramos.

Quanto à composição, a água pode ser salgada ou doce. Do total de água do planeta, 97,5% é salgada (oceanos e mares) e apenas 2,5% é doce.

E essa água doce também é difícil de usar: a maior parte está congelada em geleiras (68,7%) ou embaixo da terra (30,1%). Só 0,3% está em rios e lagos, que é de onde mais tiramos água.

2Águas oceânicas

As águas oceânicas são as enormes massas de água salgada do planeta. Elas ficaram salgadas porque a chuva e o vento desgastam as rochas e levam minerais para o mar; os vulcões submarinos também ajudam.

A Organização Hidrográfica Internacional divide essas águas em cinco oceanos: Atlântico, Pacífico, Índico, Glacial Ártico e Glacial Antártico.

Oceanos são grandes volumes de água salgada que separam os continentes. Mares são partes dos oceanos, menores e menos profundos.

2.1Tipos de mares

Abertos: ficam na costa dos continentes e se comunicam bem com o oceano (Mar do Caribe).

Interiores: quase cercados por terra, ligados ao oceano por estreitos e canais (Mar Mediterrâneo).

Fechados: ficam dentro dos continentes, sem ligação com o oceano. Diferem dos lagos porque a água é salgada (Mar Morto).

2.2Os cinco oceanos

Pacífico: o maior (cerca de 165 milhões de km²) e com as maiores profundidades.

Atlântico: cerca de 80 milhões de km²; é o mais usado no comércio, desde as Grandes Navegações. No seu fundo está a Dorsal Meso-Oceânica.

Índico: terceiro maior (74 milhões de km²), importante para o transporte de petróleo do Oriente Médio.

Glacial Ártico: cerca de 14 milhões de km², fica no Polo Norte e é pouco navegável por causa do gelo e dos icebergs.

Glacial Antártico: pouco mais de 20 milhões de km², cerca a Antártica e é considerado o maior santuário marítimo do mundo, por ter muito alimento e vida marinha.

3Movimentos das águas oceânicas

As águas do mar se movem por causa dos ventos, das diferenças de temperatura, da rotação da Terra e da atração da Lua e do Sol.

Ondas: ondulações criadas principalmente pelo vento. Quando são gigantes e destruidoras, causadas por terremotos ou vulcões no fundo do mar, chamam-se tsunamis.

Marés: a subida e a descida do nível do mar ao longo do dia, causadas pela atração da Lua e do Sol.

Correntes marítimas: grandes massas de água que se deslocam pelos oceanos. Podem ser quentes (úmidas, deixam o inverno mais ameno e trazem chuva) ou frias (secas, ligadas à formação de desertos, mas ricas em microrganismos que alimentam peixes).

Exemplo

  • Nas Hopewell Rocks (Canadá), a diferença entre a maré baixa e a maré alta chega a 18 metros.

4Atividades econômicas e poluição dos oceanos

Os oceanos servem de rota para navios: o transporte marítimo é um dos mais baratos, por isso existem grandes portos e indústrias no litoral.

Deles também tiramos recursos: sal, petróleo e gás natural. A força das marés e das ondas ainda pode gerar energia limpa.

A pesca alimenta cerca de 2,6 bilhões de pessoas. Como a pesca predatória reduz a vida marinha, uma alternativa é a aquicultura, a criação de peixes, algas e crustáceos em tanques no mar. Mas restos de ração e excrementos podem poluir a costa.

A poluição vem do esgoto sem tratamento, do lixo nas praias, dos rios poluídos e do derramamento de petróleo, que prejudica a pesca, o turismo e as comunidades que vivem do mar.

5Águas continentais e o ciclo da água

As águas continentais são as que mais usamos: para beber, cozinhar, higiene, transporte, indústria e energia. Estão no estado líquido (rios, lagos, represas, aquíferos) e sólido (geleiras, calotas polares).

O ciclo da água (ou ciclo hidrológico) faz essa água se renovar e não acabar: o Sol aquece a água e ela evapora (as plantas também soltam vapor, a evapotranspiração); o vapor sobe, esfria e forma nuvens; ocorre a precipitação (chuva, neve ou granizo); a água volta ao solo, aos rios e ao mar, recomeçando tudo.

Ao cair, a chuva pode seguir três caminhos: evaporação, infiltração (forma o lençol freático, mais raso, e os aquíferos, mais profundos) ou escoamento superficial (corre pela superfície até rios, lagos e mares).

6Rios e bacias hidrográficas

Rios são cursos de água que correm das áreas altas para as baixas por causa da gravidade. A rede hidrográfica é formada por um rio principal e seus afluentes.

A bacia hidrográfica é toda a área de terra que drena (recolhe) as águas para um mesmo ponto de saída, como um rio principal ou o oceano. Ela é separada de outra bacia pelos divisores de águas (ou interflúvios), que são os relevos altos, como serras e morros.

Exemplo

  • A Bacia Amazônica é a maior do mundo; nela estão os rios Amazonas, Negro, Branco e Purus.

6.1Partes de um rio

Nascente: onde o rio começa. Afluentes: rios secundários que desaguam no principal. Leito: o canal por onde a água corre. Meandro: as curvas do rio. Foz: onde o rio deságua, podendo ser estuário (uma saída) ou delta (várias saídas).

6.2Classificação dos rios

Quanto à sazonalidade (época do ano): perene (nunca seca), intermitente (seca na estiagem), perenizado (vira perene com barragens feitas por pessoas) e efêmero (só existe logo após a chuva).

Quanto ao abastecimento: pluvial (chuva), nival (neve), glacial (degelo) e misto (mais de uma fonte).

Quanto ao relevo: de planalto (tem quedas-d'água, bom para gerar energia) e de planície (sem desníveis, ótimo para navegar).

6.3Lagos e lagunas

Lagos são grandes volumes de água parada no interior dos continentes. Podem ser vulcânicos, tectônicos, de geleira ou artificiais (feitos por pessoas).

Lagunas ficam no litoral: são separadas do mar por uma barreira natural de areia, rochas ou corais. Sua água pode ser doce, salobra ou salgada.

Exemplo

  • A Lagoa dos Patos (RS) é uma laguna, pois se liga ao Oceano Atlântico por um canal.

7Aproveitamento dos rios e uso da água

Os rios são usados para pesca, navegação (em hidrovias; as eclusas funcionam como elevadores de barcos onde há desníveis), geração de energia (hidrelétricas), irrigação das plantações e abastecimento das cidades.

Do total de água doce consumida no mundo, cerca de 70% vai para a agricultura, 20% para a indústria e 10% para as casas.

A água doce disponível é pouca e mal distribuída: algumas regiões têm rios enormes e outras quase nada. A poluição e o desperdício pioram a escassez.

8Regiões hidrográficas do Brasil

O Brasil é rico em água doce e tem o Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água.

Para cuidar melhor desse recurso, o governo dividiu o país em 12 regiões hidrográficas, formadas por uma ou mais bacias. A maior é a Amazônica; outras importantes são Tocantins-Araguaia, Paraná e São Francisco.

Mesmo com muita água, é preciso usá-la com consciência: a poluição e o líquido que escorre dos lixões contaminam rios e águas subterrâneas.

9Tratamento e distribuição da água

A água bruta é captada em rios e lagos e levada à estação de tratamento, onde vira potável, ou seja, própria para beber. Depois vai ao reservatório e é distribuída para as casas.

Depois de usada, a água vira esgoto. Ele deve ser coletado e tratado antes de voltar à natureza, para evitar a contaminação dos rios e a transmissão de doenças. Esse conjunto todo é o saneamento básico.

10Irrigação artificial e consumo consciente

Em lugares de clima árido e semiárido, com pouca chuva, a irrigação artificial permite plantar. No Brasil, isso acontece no Polígono das Secas (Sertão nordestino e norte de Minas), que virou grande produtor de frutas.

O problema é o desperdício: falhas de infraestrutura fazem muita água se perder.

Cada brasileiro consome cerca de 154 litros de água por dia, bem acima dos 110 litros recomendados pela OMS. Reduzir o tempo de banho, fechar a torneira e reaproveitar a água da chuva ajudam a economizar.

Exemplo

  • Na Arábia Saudita, uma área de deserto virou campo agrícola depois da instalação de irrigação, usando água de um aquífero.

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