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Geografia – Capítulo 6: O chão em que você pisa (relevo, rochas e solos)

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Geografia – Capítulo 6: O chão em que você pisa (relevo, rochas e solos)

Resumo completo

Geografia – Capítulo 6: O chão em que você pisa (relevo, rochas e solos)

Resumo completo

1Rochas que falam: por que estudar o chão?

As rochas estão em tudo à nossa volta: no chão que pisamos, nas joias, nos pisos e revestimentos das casas. Mas elas servem para muito mais do que isso.

As rochas são muito antigas e vivem se transformando. Por isso, elas funcionam como um "livro de histórias" da Terra: estudando-as, os cientistas descobrem como era o planeta há milhões de anos e como o relevo foi formado.

Dois exemplos famosos ficam no Rio de Janeiro. O morro do Pão de Açúcar é feito de gnaisse, com rochas formadas há cerca de 560 milhões de anos. Já o Cristo Redentor foi construído com pedra-sabão, uma rocha que não enferruja (anticorrosiva).

Exemplos

  • O relevo atual do Pão de Açúcar é resultado de processos tectônicos (forças de dentro da Terra) e erosivos (desgaste) que aconteceram ao longo de cerca de 60 milhões de anos.

2Relevo e sua constituição

O relevo é o "desenho" do terreno. Ele pode ser plano, montanhoso ou íngreme (muito inclinado). Esse terreno pode aparecer em forma de rocha exposta ou estar coberto por solo.

As rochas são agrupamentos de um ou mais minerais consolidados (grudados) que formam toda a crosta terrestre. Minerais são substâncias cristalinas encontradas na natureza, cada uma com uma composição química própria.

Ao longo de milhões de anos, as rochas sofrem a ação da água, do gelo, do vento, da variação de temperatura, da pressão do ar e dos seres vivos. Com isso, elas se quebram em pedaços cada vez menores.

Essas partículas pequenininhas, misturadas a restos de plantas e de animais, formam o solo. Esse processo continua acontecendo hoje e é o que segue moldando o relevo da Terra.

Exemplos

  • Passo a passo da formação do solo: 1) uma rocha grande fica exposta ao sol, à chuva e ao vento; 2) ela racha e se quebra em pedaços menores; 3) os pedaços viram partículas bem finas; 4) essas partículas se misturam a folhas, galhos e restos de animais; 5) surge uma camada de solo onde as plantas conseguem crescer.

Fatores que fazem existir solos diferentes

FatorComo influencia
Tempo de formaçãoQuanto mais tempo levou para se formar, mais desenvolvido é o solo
Condições climáticasUmidade e temperatura do lugar mudam o resultado final
Resíduos de plantas e animaisQuanto mais matéria orgânica, mais rico o solo tende a ser
Tipo de rocha de origemRochas magmáticas, sedimentares ou metamórficas geram solos diferentes

3Tipos de solo

Existem vários jeitos de classificar o solo. Um deles olha para o tipo e o tamanho dos grãos que formam esse solo.

O tamanho do grão muda tudo: grãos grandes deixam a água passar rápido; grãos bem finos seguram a água. Por isso, cada solo serve melhor para uma coisa.

Saber o tipo de solo é essencial para a agricultura. Um solo humífero (rico em húmus, que é matéria orgânica em decomposição) é o mais fértil para plantar.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: para plantar milho, o texto diz que o solo precisa ser 'bem drenado e fértil, rico em húmus. Passo 1 – rico em húmus' aponta direto para o solo humífero. Passo 2 – o solo humífero é poroso, retém água e é muito fértil. Resposta: o solo mais adequado é o humífero.
  • Exemplo: numa praia com dunas (como Pititinga, no Rio Grande do Norte), o solo é arenoso, pois é formado por grãos grandes de areia e a água escoa rapidamente.

Comparando os tipos de solo

Tipo de soloComo éPermeabilidade (passagem de água)Serve para plantar?
ArenosoPartículas grandes (granuloso)Bastante permeável (a água passa fácil)Pouco indicado: não retém água
ArgilosoConsistência finaPouco permeável (segura a água)Sim, bom para o cultivo; retém água e sais minerais
HumíferoRico em matéria orgânica (húmus)Poroso e retém bem a águaSim, é o mais fértil
RochosoMuito raso, com fragmentos de rocha à vistaQuase não tem solo para guardar águaNão; típico de regiões secas ou íngremes, como o sertão

4Agentes construtores e modeladores do relevo

O relevo não é igual em todo lugar: há grandes fendas, montanhas altas e áreas planas. Essas formas nascem da ação de dois grupos de forças.

As forças internas (endógenas) vêm de dentro da Terra e constroem o relevo (levantam montanhas). As forças externas (exógenas) agem na superfície e desgastam o relevo (achatam, quebram, transportam).

Um jeito fácil de lembrar: as forças internas "levantam" e as externas "derrubam" aos poucos.

Exemplos

  • Endógena: um vulcão em erupção que forma uma montanha nova. Exógena: a chuva que vai desgastando essa montanha ao longo de milhares de anos.

Forças que agem no relevo

Tipo de forçaDe onde vemO que fazExemplos
Interna (endógena)Do interior da TerraConstrói e levanta o relevoVulcanismo, tectonismo, dobramentos, falhas
Externa (exógena)Da superfície (clima, água, vento, seres vivos)Desgasta, transporta e modela o relevoIntemperismo e erosão

4.1Forças internas (endógenas): vulcanismo e tectonismo

O vulcanismo e o tectonismo são os grandes responsáveis pelas falhas geológicas e pelas enormes cadeias de montanhas, chamadas dobramentos modernos.

Ao expelir lava, os vulcões podem criar montanhas tanto nos continentes quanto no fundo dos oceanos. Quando uma montanha oceânica chega até a superfície do mar, ela forma uma ilha.

Já o tectonismo é o movimento das placas tectônicas (grandes blocos que formam a crosta). Quando as placas se chocam, as bordas se dobram e nascem cadeias de montanhas. Quando elas se afastam, partes da superfície afundam e formam depressões tectônicas.

As falhas (ou fraturas) acontecem quando a pressão quebra blocos de rocha e as partes deslizam em sentidos diferentes. O bloco que sobe é chamado horst e o que desce é chamado graben.

Exemplos

  • Subducção: quando uma placa oceânica encontra uma placa continental, a placa oceânica mergulha por baixo e é destruída ao entrar em contato com o magma. Nesse encontro se formam as fossas submarinas.
  • Exemplo resolvido: por que a cordilheira do Himalaia é tão alta? Passo 1 – identificar a força: são forças internas (endógenas). Passo 2 – nomear o processo: o tectonismo, com o choque de duas placas. Passo 3 – concluir: as bordas das placas se dobraram para cima, formando um dobramento moderno com as maiores montanhas do planeta.

Movimentos das placas tectônicas

MovimentoO que aconteceResultado no relevo
Convergente (se chocam)Uma placa empurra a outraCadeias de montanhas, fossas oceânicas
Divergente (se afastam)As placas se separamDepressões tectônicas, cordilheiras oceânicas
Transcorrente (deslizam de lado)Uma placa raspa na outraFalhas geológicas e terremotos

4.2Forças externas (exógenas): o intemperismo

O intemperismo é o conjunto de processos que decompõem ou quebram as rochas da crosta. Ele é o primeiro passo para a formação do solo.

O intemperismo pode ser físico, químico ou biológico. Além do tipo, dois fatores mudam a velocidade dele: o tipo de rocha (algumas são mais resistentes) e o tempo de contato da água da chuva com a rocha.

Em terrenos muito inclinados, a água escorre rápido e agride menos a rocha. Em terrenos pouco inclinados (encostas suaves), a água se infiltra e age com muito mais força.

Exemplos

  • Exemplo resolvido (intemperismo físico no frio): 1) chove e a água entra nas rachaduras da rocha; 2) à noite a temperatura cai e a água congela; 3) o gelo aumenta de volume e empurra as paredes da rocha por dentro; 4) a rocha racha e se parte.
  • Exemplo resolvido (intemperismo biológico): a raiz de uma árvore cresce dentro de uma fenda da rocha, vai engrossando e quebra a rocha em pedaços menores. Quanto mais partida, mais exposta a rocha fica à ação de outros agentes.

Tipos de intemperismo

TipoCausa principalO que faz com a rochaExemplo
FísicoAmplitude térmica (diferença entre temperatura máxima e mínima) e congelamento da águaFragmenta (quebra em pedaços)Rochas do deserto que se expandem de dia e contraem à noite; gnaisse fraturado pelo gelo
QuímicoÁgua da chuva ácida que dissolve os mineraisDecompõe (altera a química da rocha)A Rocha Uluru, na Austrália, avermelhada pela oxidação
BiológicoAção de seres vivos: fungos, bactérias e plantasDecompõe e desintegraRaízes de árvores no Cânion do Itaimbezinho (RS) quebrando os blocos rochosos

4.3Forças externas (exógenas): a erosão

A erosão é o transporte do material já quebrado pelo intemperismo. Ela retira, transporta e deposita sedimentos (os pedacinhos soltos de rocha e solo).

A erosão sempre existiu e vai modificando o relevo lentamente. O problema é que a ação humana acelera muito esse processo, principalmente quando as pessoas retiram a vegetação e ocupam o solo de forma errada.

Uma dica importante: em áreas de declive (inclinadas), o solo sem proteção fica exposto às chuvas e aos ventos. Isso pode causar desmoronamentos ou abrir crateras enormes chamadas voçorocas (ou ravinas).

Exemplos

  • Exemplo resolvido: a notícia diz que 'a força do oceano está avançando e varrendo praias na América Latina'. Passo 1 – qual agente causa isso? O mar. Passo 2 – logo, é erosão marinha. Passo 3 – como acontece? As ondas e as marés batem sem parar no litoral, desgastando as rochas e levando a areia embora.
  • Comparando britagem e formação do solo: nos dois casos a rocha se quebra em pedaços menores (semelhança). A diferença é que a britagem é feita pelo ser humano com explosivos e máquinas, em pouco tempo, enquanto a fragmentação natural leva milhões de anos e é feita pela natureza.

Tipos de erosão

TipoAgente causadorComo aconteceResultado
PluvialChuvaA água bate no solo sem cobertura vegetal e corre pela superfícieDesgaste do solo, torrões e voçorocas
FluvialRiosO rio retira sedimentos do seu leito e os leva emboraDeposição nas margens ou na foz
MarinhaOndas e marésA água do mar bate nas rochas do litoralFalésias, bancos de areia e recifes
EólicaVentosO vento desgasta a rocha, transporta e deposita a areiaFormação de dunas
AntrópicaSer humanoUso impróprio e ocupação inadequada do soloDesmoronamento de encostas e perda de fertilidade

5Estrutura geológica

A crosta terrestre é feita de vários tipos de rocha. Os cientistas as classificam pela época em que se formaram (eras geológicas), pela composição (minerais) e pelas estruturas que apresentam.

Com base nisso, a superfície da Terra foi dividida em três categorias: escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos.

Uma informação importante sobre o Brasil: nosso território é formado por bacias sedimentares (64%) e escudos cristalinos (36%). Não existem dobramentos modernos no Brasil, porque o país está no meio da Placa Sul-Americana, longe das bordas. Por isso quase não temos terremotos e vulcões.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: onde o Brasil extrai o minério de ferro? Passo 1 – ferro é um mineral metálico. Passo 2 – jazidas de minerais metálicos (ferro, manganês, ouro, cobre) aparecem nos escudos cristalinos. Resposta: nos escudos cristalinos.
  • Exemplo: o petróleo e o carvão mineral são combustíveis fósseis e por isso são encontrados nas bacias sedimentares, onde se acumularam sedimentos e restos de matéria orgânica.

As três estruturas geológicas

EstruturaIdadeRochas predominantesRiquezas encontradas
Escudos cristalinosMais antigas (Pré-Cambriano)Magmáticas e metamórficas (granito, basalto, gnaisse)Minerais metálicos: ferro, manganês, ouro, cobre
Bacias sedimentaresPaleozoica, Mesozoica ou CenozoicaSedimentares (sedimentos + matéria orgânica)Combustíveis fósseis: carvão mineral e petróleo
Dobramentos modernosMais recentes (Era Cenozoica)Rochas dobradas pelas forças internasMaiores elevações do planeta; associados a terremotos e vulcões

6Formas do relevo

Conhecendo os tipos de rocha e os agentes internos e externos, dá para entender como o relevo foi "esculpido".

O relevo existe tanto na parte seca dos continentes quanto no fundo dos oceanos. Por isso ele é estudado em dois grupos: relevo continental e relevo submarino.

6.1Relevo continental

No relevo continental destacam-se quatro formas principais: planaltos, planícies, depressões e montanhas.

Um detalhe que costuma cair em prova: planalto é onde predomina a erosão (desgaste), e planície é onde predomina a deposição de sedimentos (a terra que chega das partes mais altas).

As depressões podem ser absolutas (abaixo do nível do mar) ou relativas (acima do nível do mar, mas mais baixas que as áreas ao redor).

Exemplos

  • Exemplo resolvido: por que o Pantanal Mato-Grossense é uma planície? Passo 1 – ele é uma área plana, de baixa declividade. Passo 2 – recebe sedimentos vindos do planalto que o circunda. Passo 3 – fica em altitude baixa (entre 90 e 200 m) e alaga com facilidade. Conclusão: é uma imensa área de sedimentação e inundação, ou seja, uma planície.
  • Exemplo de correção de afirmação falsa: 'Planícies são superfícies planas, constituídas basicamente de rochas metamórficas.' Errado! O correto é: planícies são formadas basicamente por rochas sedimentares.

Formas do relevo continental

FormaCaracterística principalProcesso predominanteExemplo
PlanaltoAltitude mais elevada que as áreas vizinhas; tem serras e chapadasErosão (desgaste)Serra da Borborema (RN)
PlanícieSuperfície bem plana, onde os sedimentos se depositamDeposição (sedimentação)Planície Amazônica (AM); Pantanal
DepressãoÁrea mais baixa que as áreas ao redor; absoluta (abaixo do nível do mar) ou relativa (acima dele)ErosãoVale do Silêncio (MT)
MontanhaA mais alta forma de relevo; encostas íngremes, picos definidos e vales profundosForças internas (tectonismo)Huascarán (Peru); Himalaia

Serra x Chapada (feições do planalto)

FeiçãoComo é o topoComo são as bordas
SerraConjunto de morros com topo arredondadoBordas geralmente arredondadas
ChapadaTopo plano, parecendo uma mesaBordas com declives acentuados

6.2Relevo submarino

No fundo do mar também existem montanhas, planícies e vales gigantes. O relevo submarino começa na costa e vai ficando cada vez mais fundo.

A plataforma continental é a parte mais rasa e mais importante para nós: é onde há muito petróleo e onde acontece a maior parte da pesca.

A parte mais funda de todas são as fossas oceânicas, formadas no encontro de duas placas (zona de subducção). A Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, é a mais profunda conhecida: cerca de 11 500 metros.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: o Titanic foi encontrado a cerca de 4 000 metros de profundidade no Atlântico. Passo 1 – a plataforma vai só até uns 200 m, então não é ali. Passo 2 – as fossas passam de 10 000 m, então também não é. Passo 3 – a planície abissal alcança cerca de 4 000 m. Resposta: o navio está na planície abissal.

Formas do relevo submarino (da costa para o fundo)

FormaProfundidade / LocalizaçãoCaracterística
Plataforma continentalDa costa até cerca de 200 mDeclive suave, coberta por sedimentos trazidos pelos rios; rica em petróleo e peixes
Talude continentalLogo após a plataformaInclinação acentuada; coberto por argila fina e restos de animais marinhos
Planície abissalCerca de 4 000 mRegião extensa e mais ou menos plana; suas elevações emersas viram ilhas
Fossas oceânicasAs zonas mais profundas (até 11 500 m)Formadas no encontro de duas placas (subducção). Ex.: Fossa das Marianas
Cordilheiras oceânicasLimites divergentes entre placasConjunto de montanhas formado por processos vulcânicos e tectônicos

7Altitude, curvas de nível e perfil topográfico

A altitude é a medida vertical de um ponto da superfície da Terra contada a partir do nível do mar (que é a altitude zero). Cuidado para não confundir com altura, que é medida do pé até o topo do objeto.

Nos mapas, olhamos a paisagem de cima para baixo. Como não dá para "ver" a altura assim, usamos cores diferentes para representar cada faixa de altitude (verde para as mais baixas, amarelo, laranja e marrom para as mais altas).

Outro recurso são as curvas de nível: linhas imaginárias traçadas no mapa que ligam todos os pontos que têm a mesma altitude. Quando as curvas ficam bem juntinhas, o terreno é íngreme; quando ficam afastadas, o terreno é mais suave.

Já o perfil topográfico é um desenho do relevo visto de frente, como se cortássemos o terreno com uma faca e olhássemos de lado. Ele mostra as subidas e descidas ao longo de uma direção escolhida.

📐 Para guardar

  • Altitude = distância vertical de um ponto até o nível do mar (nível do mar = 0 m)

Exemplos

  • Como montar um perfil topográfico passo a passo: 1) trace uma linha reta horizontal cortando o mapa com curvas de nível; 2) marque um ponto em cada cruzamento dessa linha com uma curva de nível; 3) num gráfico abaixo, coloque as altitudes no eixo y (0, 100, 200, 300, 400 m) e trace linhas horizontais; 4) desça uma linha vertical de cada ponto marcado até a altura correspondente no gráfico; 5) ligue os pontos: aparece o desenho do relevo visto de frente.
  • Exemplo de leitura: no perfil do Brasil traçado do ponto A (Planície do Pantanal) ao ponto B (Salvador), vemos o terreno subir nas serras (Caiapós, Pirineus, Espinhaço) e descer novamente até o nível do mar, na Baía de Todos-os-Santos.

Formas de representar a altitude

RecursoComo funcionaPara que serve
Cores no mapa (altimetria)Cada cor representa uma faixa de alturaVer rapidamente as áreas altas e baixas de todo o território
Curvas de nívelLinhas que ligam pontos de mesma altitudeMostrar o formato do terreno em visão de cima
Perfil topográficoDesenho do relevo em perspectiva frontal (visto de lado)Entender as subidas e descidas ao longo de uma direção

8Resumo final: neste capítulo você estudou

Vamos recapitular os três grandes blocos do capítulo.

Primeiro: o relevo, sua constituição (rochas e minerais que se quebram e formam o solo) e os tipos de solo (arenoso, argiloso, humífero e rochoso).

Segundo: as forças internas e externas que moldam o relevo — vulcanismo e tectonismo constroem; intemperismo e erosão desgastam.

Terceiro: a estrutura geológica (escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos) e as formas de relevo continental e submarino, além de como representar a altitude.

Exemplos

  • Pergunta de revisão: o intemperismo rebaixa o relevo de 20 a 50 metros a cada 1 milhão de anos. Isso acontece igual em todo o planeta? Não! Depende do clima do lugar, do tipo de rocha (mais ou menos resistente), da inclinação do terreno e da presença de vegetação.

Palavras-chave do capítulo

TermoSignificado em uma frase
RelevoO comportamento ou desenho do terreno
MineralSubstância cristalina da natureza com composição química específica
RochaAgrupamento de um ou mais minerais consolidados
SoloPartículas de rocha misturadas a restos de plantas e animais
IntemperismoProcessos que quebram ou decompõem as rochas
ErosãoTransporte do material já quebrado (sedimentos)
VoçorocaGrande cratera aberta pela erosão em áreas de declive
AltitudeDistância vertical de um ponto até o nível do mar
Curva de nívelLinha que liga pontos de mesma altitude no mapa

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Resumo rápido

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1Relevo e sua constituição

O relevo é o "desenho" do terreno: ele pode ser plano, montanhoso ou íngreme (muito inclinado). Esse terreno pode ser feito de rocha ou estar coberto por solo.

As rochas são grupos de um ou mais minerais (substâncias com composição química própria, encontradas na natureza) juntos e endurecidos. Elas formam toda a crosta da Terra.

Com o passar de milhões de anos, a água, o gelo, o vento, a mudança de temperatura e os seres vivos vão quebrando as rochas em pedaços cada vez menores. Essas partículas, misturadas a restos de plantas e animais, formam o solo.

Exemplo

  • O morro do Pão de Açúcar (RJ) é feito de gnaisse, rocha formada há cerca de 560 milhões de anos.

1.1Por que existem vários tipos de solo?

A variedade de solos depende de: o tempo que levaram para se formar; o clima do lugar (umidade e temperatura); os restos de plantas e animais que entram na mistura; e o tipo de rocha que deu origem a eles (magmática, sedimentar ou metamórfica).

1.2Tipos de solo

Arenoso: grãos grandes, deixa a água e o ar passarem fácil; é bem permeável.

Argiloso: grãos bem finos, quase não deixa a água passar, mas guarda água e sais minerais — bom para a agricultura.

Humífero: rico em húmus (matéria orgânica em decomposição). Retém água, é poroso e muito fértil.

Rochoso: bem raso, típico de regiões secas ou íngremes, onde aparecem pedaços de rocha.

Exemplo

  • Para plantar milho, o melhor é o solo humífero, porque é fértil, drenado e rico em húmus.

2Agentes construtores e modeladores do relevo

As formas do relevo nascem de duas forças: as endógenas (internas, vindas de dentro da Terra) e as exógenas (externas, que agem na superfície).

2.1Forças internas (endógenas)

São o vulcanismo e o tectonismo (movimento das placas da crosta). Eles constroem o relevo.

Os vulcões expelem lava e podem criar montanhas no continente e no fundo do mar (algumas viram ilhas).

O tectonismo cria dobramentos (elevações em forma de dobras, como as grandes cadeias de montanhas) e falhas (rachaduras em que blocos de rocha deslizam). Quando as placas se afastam, o terreno pode afundar e formar depressões.

Exemplo

  • Quando uma placa oceânica choca com uma continental, ocorre a subducção: a placa oceânica afunda e é destruída no magma, formando fossas e montanhas.

2.2Forças externas (exógenas): intemperismo

O intemperismo é o conjunto de processos que quebram ou decompõem as rochas.

Físico: quebra a rocha pela variação de temperatura (amplitude térmica). No deserto, a rocha dilata de dia e contrai de noite; no frio, a água entra nas fendas, congela, aumenta de volume e racha a rocha.

Químico: a rocha se decompõe porque seus minerais são dissolvidos ou alterados. A água da chuva fica ácida ao se juntar ao gás carbônico do ar e ataca os minerais.

Biológico: seres vivos desgastam a rocha. Fungos, bactérias e, principalmente, raízes de árvores entram nas fendas e partem a rocha.

Exemplo

  • No Cânion do Itaimbezinho (RS), as raízes das plantas desintegram os blocos de rocha.

2.3Forças externas (exógenas): erosão

A erosão é o transporte do material já quebrado pelo intemperismo: ela retira, carrega e deposita sedimentos (pedacinhos de rocha e solo). A ação humana acelera muito esse processo quando retira a vegetação ou ocupa o solo de forma errada.

Tipos principais: pluvial (da chuva sobre o solo sem vegetação, pode abrir voçorocas); fluvial (dos rios, que arrastam sedimentos do leito para as margens ou para a foz); marinha (das ondas e marés, forma bancos de areia, recifes e falésias); eólica (do vento, forma dunas); antrópica (causada pelo ser humano, podendo provocar desmoronamentos).

Exemplo

  • As falésias de Torres (RS) foram esculpidas pela erosão marinha.

3Estrutura geológica

A crosta da Terra é dividida em três grandes tipos de estrutura:

Escudos cristalinos: as formações mais antigas (Pré-Cambrianas), com rochas magmáticas e metamórficas resistentes (granito, basalto, gnaisse). Neles há minerais metálicos, como ferro, ouro e cobre.

Bacias sedimentares: antigas depressões preenchidas por sedimentos e restos de matéria orgânica. Nelas se encontram carvão mineral e petróleo.

Dobramentos modernos: estruturas recentes (Era Cenozoica), formadas nas bordas das placas. São as maiores montanhas do planeta e sofrem terremotos e vulcanismo.

Exemplo

  • O Brasil tem 64% de bacias sedimentares e 36% de escudos cristalinos, e nenhum dobramento moderno, pois fica no centro da Placa Sul-Americana.

4Formas do relevo

O relevo aparece tanto nos continentes quanto no fundo do mar.

4.1Relevo continental

Planaltos: áreas mais altas que as vizinhas, muito desgastadas pela erosão; têm serras (morros arredondados) e chapadas (topo plano, bordas íngremes, parecidas com uma mesa).

Planícies: superfícies planas, feitas de rochas sedimentares, onde os sedimentos se depositam (perto de rios, lagos e no litoral).

Depressões: áreas mais baixas que as ao redor. São absolutas quando ficam abaixo do nível do mar e relativas quando ficam acima dele.

Montanhas: as formas mais altas, com encostas íngremes, picos definidos e vales profundos.

Exemplo

  • A Planície Amazônica, no Amazonas, é formada por sedimentos depositados pelos rios.

4.2Relevo submarino

Plataforma continental: começa na costa e desce suavemente até cerca de 200 m; é rica em petróleo e peixes.

Talude continental: descida bem inclinada logo depois da plataforma.

Planície abissal: região extensa e quase plana, com cerca de 4 000 m de profundidade; suas elevações que saem da água formam ilhas.

Fossas oceânicas: as partes mais profundas, formadas no encontro de duas placas.

Cordilheiras oceânicas: montanhas submarinas formadas por vulcanismo e tectonismo, onde as placas se afastam.

Exemplo

  • A Fossa das Marianas, no Pacífico, é a mais profunda conhecida: cerca de 11 500 m.

5Altitude, curvas de nível e perfil topográfico

Altitude é a medida vertical de um ponto da superfície a partir do nível do mar (altitude zero). Nos mapas, ela costuma ser mostrada por cores diferentes.

As curvas de nível são linhas imaginárias no mapa que ligam todos os pontos que têm a mesma altitude. Quanto mais curvas juntas, mais inclinado é o terreno.

O perfil topográfico é um desenho do relevo visto de frente, feito a partir de um corte no mapa. Ele ajuda a enxergar como o terreno sobe e desce.

Exemplo

  • Numa montanha, cada curva de nível marca uma altura: 20 m, 40 m, 60 m... até o topo.

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