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Capítulo 10 – Aspectos naturais e a formação de sociedades

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Capítulo 10 – Aspectos naturais e a formação de sociedades

Resumo completo

Capítulo 10 – Aspectos naturais e a formação de sociedades

Resumo completo

1Abertura: cidades que nasceram e morreram por causa da natureza

O capítulo começa com duas cidades abandonadas. Elas mostram que a natureza pode ajudar ou atrapalhar a vida das pessoas em um lugar.

A primeira é Craco, no sul da Itália. Ela foi construída no século VIII a.C. no topo de uma colina, um ponto estratégico: dali dava para ver longe e se defender de inimigos.

Mesmo assim, Craco sofreu com catástrofes, epidemias, guerras, falta de alimentos e terremotos que causaram deslizamentos. Aos poucos, todo mundo foi embora. Hoje ela está deserta, é patrimônio cultural mundial e vive do turismo.

A segunda é Kolmanskop, no deserto da Namíbia (África), erguida por volta de 1908 para abrigar quem explorava diamantes. Quando as jazidas acabaram, as pessoas foram embora e, em 1956, a cidade já estava vazia. Hoje as casas estão tomadas pela areia do deserto e viraram atração turística.

A lição das duas histórias é a mesma: os seres humanos transformam o ambiente e se adaptam a ele para sobreviver, mas a natureza também interfere no destino das cidades.

Exemplos

  • Craco: a colina foi uma vantagem (defesa e visão ampla), mas os terremotos e deslizamentos foram a desvantagem que esvaziou a cidade.
  • Kolmanskop: o recurso natural (diamante) atraiu moradores; quando o recurso acabou, a cidade acabou junto.

Comparando Craco e Kolmanskop

ItemCracoKolmanskop
Onde ficaSul da Itália (Europa)Deserto da Namíbia (África)
Quando surgiuSéculo VIII a.C.Por volta de 1908
Por que foi criadaLocal estratégico no alto de uma colina (defesa)Abrigar exploradores de diamantes
Por que foi abandonadaCatástrofes, epidemias, guerras, fome e terremotosEsgotamento das jazidas de diamante
Situação hojeDeserta, patrimônio cultural e ponto turísticoTomada pela areia e ponto turístico

2Entendendo a adaptação humana em diferentes circunstâncias

Ao longo da história, as características do ambiente — relevo, hidrografia (os rios e as águas), clima e vegetação — influenciaram o modo como as pessoas se instalaram em cada lugar.

Em alguns lugares, essas características ajudaram a ocupação. Em outros, exigiram muito esforço e adaptação, ou seja, mudanças no jeito de viver (ou no próprio ambiente) para conseguir sobreviver ali.

Quando o ambiente é favorável, a sociedade cresce mais fácil. Quando é hostil, a vida fica difícil e cara, mas mesmo assim as pessoas podem ficar se houver algum interesse forte, como dinheiro ou trabalho.

Aspectos naturais que influenciam a ocupação

Aspecto naturalO que éComo influencia
RelevoAs formas do terreno (morros, planícies, montanhas)Colinas ajudam na defesa; encostas íngremes trazem risco de deslizamento
HidrografiaOs rios, lagos e águas do lugarÁgua para beber, pescar, plantar e transportar mercadorias
ClimaTemperatura, chuva, frio ou calor de uma regiãoFrio extremo ou seca dificultam a vida e exigem adaptações
VegetaçãoAs plantas que cobrem o lugarFornece alimento, madeira, material para casas e objetos

2.1Ambientes favoráveis: as cidades que nasceram perto dos rios

Os primeiros povoados do mundo surgiram às margens de grandes rios. Os vales desses rios eram férteis, ou seja, tinham terra boa para plantar.

Isso impulsionou a agricultura. Com o tempo, as técnicas agrícolas melhoraram, a produção aumentou e sobrou comida para comercializar (vender e trocar).

Um exemplo clássico é o Rio Nilo, no Egito. Ele serviu para a pesca, para o cultivo de alimentos e também para o transporte e o comércio de mercadorias, favorecendo a economia local.

Exemplos

  • Rio Tigre (Ásia) e Rio Eufrates (Ásia): vales férteis onde surgiram povoados antigos.
  • Rio Nilo (África): base da civilização egípcia — pesca, plantio, transporte e comércio.
  • Rio Amarelo (China): outro grande rio em cujas margens nasceram povoados antigos.

Rios que abrigaram os primeiros povoados

RioContinente/PaísImportância
TigreÁsiaVale fértil, agricultura
EufratesÁsiaVale fértil, agricultura
NiloÁfrica (Egito)Pesca, cultivo, transporte e comércio
AmareloChinaVale fértil, agricultura

2.2Ambientes difíceis: La Rinconada, a cidade mais alta do mundo

Nem sempre a natureza colabora. La Rinconada, na província de San Antonio de Putina, no Peru, é considerada a cidade mais alta do mundo.

Lá as condições são duras: neve, geada e frio extremo o ano todo, com temperatura média anual de pouco mais de 1 °C. Vivem cerca de 50.000 pessoas no local.

O problema piora por causa da ocupação desordenada (sem planejamento) e da falta de infraestrutura: não há água tratada e encanada, nem sistema de esgoto, nem coleta e tratamento de lixo.

Mesmo assim a cidade continua habitada, e até cresceu nas últimas décadas, por causa do extrativismo mineral — a retirada de ouro. Como o preço do ouro subiu, mais gente foi para lá. A maioria dos moradores, porém, é pobre, mora em barracas e não tem serviços essenciais.

Exemplos

  • Por que alguém mora num lugar tão frio? Porque a mineração de ouro oferece a chance de ganhar dinheiro. O atrativo econômico faz as pessoas aceitarem condições climáticas extremas e moradias precárias.

La Rinconada em números e características

AspectoSituação
LocalizaçãoSan Antonio de Putina, Peru
DestaqueCidade mais alta do mundo
Temperatura média anualPouco mais de 1 °C
PopulaçãoCerca de 50.000 pessoas
ProblemasSem água tratada, sem esgoto, sem coleta de lixo, ocupação desordenada
Motivo da ocupaçãoExtrativismo mineral (garimpo de ouro)

2.3Conexão Brasil: o caso da Serra Pelada

O Brasil é um país enorme, com ambientes muito diferentes e grandes reservas de riquezas naturais na superfície e no subsolo. Por isso, aqui sempre aconteceu a febre do ouro: a migração súbita e em massa de trabalhadores para onde se descobre uma jazida.

Em 16 de dezembro de 1979, na Região Norte, o vaqueiro Sebastião Ferreira tomava banho no córrego Grota Rica quando viu umas "pedrinhas bonitas". Seu patrão, Genésio Ferreira da Silva, mandou uma amostra para a cidade de Marabá (Pará). Era ouro.

Em janeiro de 1980, a notícia se espalhou e cerca de mil garimpeiros chegaram na mesma semana. Em fevereiro já eram 25 mil homens no acampamento. No auge, a Serra Pelada teve 80 mil garimpeiros e virou o maior garimpo a céu aberto do mundo.

A maior parte dessas pessoas vinha da pobreza e sonhava em enriquecer de repente. É o mesmo padrão de La Rinconada: um recurso natural atrai uma multidão para uma área antes quase vazia.

Exemplos

  • Linha do tempo da Serra Pelada: 16/12/1979 → descoberta do ouro por Sebastião Ferreira; janeiro/1980 → chegam cerca de 1.000 garimpeiros; fevereiro/1980 → 25 mil homens; auge → 80 mil garimpeiros.
  • Semelhanças entre La Rinconada e Serra Pelada (resposta da atividade 1): 1) as duas ocupações cresceram por causa da extração de ouro; 2) nas duas os trabalhadores são/eram pobres e viviam em condições precárias, sem infraestrutura adequada.

Vantagens e desvantagens da exploração do ouro

DimensãoVantagensDesvantagens
EconômicaGera renda, empregos e movimenta o comércio da regiãoRiqueza acaba quando a jazida se esgota; cidades podem ser abandonadas
SocialAtrai pessoas em busca de trabalho e melhores condiçõesMoradias precárias, falta de serviços, trabalho perigoso e desigualdade
AmbientalDesmatamento, poluição de rios com mercúrio, buracos e destruição do solo

2.4Para ir além: o sal-gema em Maceió (Alagoas)

Kolmanskop, La Rinconada e Serra Pelada cresceram por causa de minerais em áreas antes quase desabitadas. Em Maceió aconteceu o contrário: os bairros já eram habitados e urbanizados quando começou a extração de sal-gema.

O sal-gema é um mineral que fica em rochas a mais de mil metros de profundidade. Para tirá-lo é preciso perfurar a terra, e essa retirada pode deixar o terreno ao redor sem sustentação, fazendo o solo afundar.

O sal-gema é útil: serve para fabricar sabão, cloro, pasta de dente e bicarbonato de sódio. Mas a exploração causou o afundamento do solo em parte de Maceió. Até dezembro de 2023, mais de 60 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas.

Exemplos

  • Produtos feitos com sal-gema: sabão, cloro, pasta de dente e bicarbonato de sódio.
  • Consequência em Maceió: bairros inteiros esvaziados por risco de afundamento do solo — um exemplo de como a ação humana sobre a natureza volta como problema para a sociedade.

3Diferentes conexões com a natureza

Assim como a adaptação é diferente em cada lugar, também são diferentes as formas de as sociedades se conectarem com os recursos da natureza.

Algumas sociedades dependem diretamente da mata e dos rios. Outras vivem em cidades e usam a natureza de um jeito mais indireto. Vamos conhecer três exemplos: os povos da floresta, os povos do Ártico e as sociedades urbanas.

Três formas de se relacionar com a natureza

SociedadeAmbienteComo usa a natureza
Povos da Floresta (ex.: Kuikuro)Floresta e rios do BrasilVegetação para casas, objetos, rituais e alimentação; pesca e plantio
Povos do Ártico (inuítes)Região polar, frio de até –50 °CNeve para construir iglus; pele de animais para roupas; caça e pesca
Sociedades urbanasCidadesEcovilas, ecobairros, energia solar, água da chuva, áreas verdes

3.1Povos da floresta brasileira

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) define os Povos da Floresta como grupos sociais que sabem usar os recursos naturais e que precisam diretamente de elementos da mata e dos rios para sobreviver.

Esse nome inclui tanto os povos nativos (indígenas) quanto as comunidades extrativistas, que têm uma relação profunda com a natureza ao redor.

Um destaque são os Kuikuro (ou cuicuros). Eles vivem nas aldeias Ipatse, Akuhugi e Lahatuá, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, e formam a maior parcela de indígenas dessa região.

A vegetação é indispensável para eles: os recursos naturais entram na construção das casas, na confecção de objetos, nos rituais e na alimentação. As ocas, por exemplo, têm telhado feito de sapé, um tipo de capim.

Exemplos

  • O livro Kungatagohoha igei ngongoi ("Esta é a terra que nós plantamos") mostra os tipos de terra usados por esses povos: "mata alta", "terra boa" e "terra preta". A "mata alta" (ou Égepe) é descrita como o lugar de plantar milho, abóbora, algodão, batata-doce, cabaça, cana, banana, mamão e pimenta.
  • Atividade de V ou F (p. 101): é verdadeiro que os indígenas da Amazônia têm relação de dependência com a floresta e, ao usá-la, também garantem sua preservação. É falso dizer que eles não cuidam da floresta ou que sua identidade tem pouca ligação com os elementos naturais.

Usos da vegetação pelos Kuikuro

UsoExemplo
MoradiaOcas com telhado de sapé (capim)
ObjetosUtensílios e artesanato feitos com material da mata
RituaisPlantas e materiais naturais usados em cerimônias
AlimentaçãoMilho, abóbora, batata-doce, banana, mamão, pimenta

3.2Povos originários do Ártico

Os povos do Ártico vivem no extremo norte do planeta e são conhecidos por se adaptarem ao frio intenso. Os invernos podem chegar a –50 °C e o gelo do solo é considerado perpétuo, ou seja, quase não derrete durante o ano.

Para enfrentar esse clima, essas comunidades criaram técnicas usando o que a natureza oferece. Uma delas é o iglu, abrigo criado pelos indígenas esquimós do Canadá, Alasca e Groenlândia, também chamados de inuítes.

O iglu é uma estrutura arredondada de gelo. A neve é recolhida, compactada e cortada em blocos. O formato redondo faz a neve escorrer por fora, deixando as paredes mais grossas e resistentes. Ele deixa a luz entrar e conserva o calor por dentro — calor que vem dos agasalhos, de fogueiras ou de lâmpadas.

As roupas também são adaptação: tecidos impermeáveis forrados com pele de animais. Hoje a maioria dos inuítes mora em casas comuns, mas ainda usa o iglu durante a caça, e a técnica de construção passa de pais para filhos como parte da cultura.

Exemplos

  • Passo a passo do iglu: 1) recolher a neve do ambiente; 2) compactar a neve; 3) cortar em blocos; 4) montar a estrutura arredondada; 5) aquecer o interior com agasalhos, fogueira ou lâmpada.

Adaptações dos povos do Ártico

AdaptaçãoMaterial da naturezaFunção
IgluNeve compactada em blocosAbrigar caçadores e pescadores, conservar o calor e deixar entrar luz
RoupasTecido impermeável e pele de animaisAquecer o corpo e garantir a sobrevivência no frio
Caça e pescaAnimais da regiãoAlimento e matéria-prima

3.3Sociedades urbanas

Quem mora na cidade não se liga à natureza de forma tão integrada quanto os povos originários, mas também interage com ela: usa seus recursos para sobreviver.

Nas últimas décadas surgiram as ecovilas e os ecobairros, espaços criados para aproximar as pessoas dos elementos naturais. Neles o estilo de vida é mais sustentável: energias renováveis (como a solar), alimentos orgânicos e casas feitas com madeira reflorestada e material reciclado. Assim, o impacto no meio ambiente é menor.

Um exemplo é o ecobairro Bedzed, em Londres. São cerca de 100 casas onde a iluminação e o aquecimento vêm da energia solar; os moradores aproveitam a água da chuva e cultivam jardins comunitários com alimentos e flores. As portas e janelas de vidro deixam entrar a luz do dia, então a luz elétrica só é usada à noite.

Outra forma de aproximar a cidade da natureza é a conservação de áreas verdes: manter cobertura vegetal dentro do espaço urbano. Jardins botânicos, parques, florestas urbanas, unidades de conservação (UC) e áreas de preservação permanente (APP) são exemplos. Elas dão lazer, melhoram a qualidade de vida e ajudam no equilíbrio ambiental.

Exemplos

  • Bedzed (Londres): energia solar para luz e aquecimento, reaproveitamento da água da chuva, jardins comunitários e janelas de vidro que reduzem o uso de luz elétrica.
  • Parque Nacional da Tijuca (Rio de Janeiro): floresta urbana que preserva a vegetação nativa e oferece trilhas, escalada, voo livre e áreas de piquenique.
  • Almere (Países Baixos) – atividade da p. 93: o recurso natural usado é a energia solar, captada por uma ilha de painéis solares que alimenta o sistema de aquecimento da cidade nos meses frios (2 °C a 7 °C). Outra forma de a população urbana ficar perto da natureza é conservar áreas verdes, como parques, jardins botânicos e florestas urbanas.

Práticas sustentáveis nas cidades

PráticaO que éBenefício
Energia solarPainéis que transformam a luz do sol em energiaEconomia de energia e menos poluição
Água da chuvaCaptação para usos domésticosEconomiza água tratada
Materiais reciclados e madeira reflorestadaConstrução com menos impactoReduz desmatamento e lixo
Áreas verdes (parques, UC, APP)Espaços com vegetação dentro da cidadeLazer, qualidade de vida e equilíbrio ambiental

3.4Atividade: a seca do Rio Negro e os povos da Amazônia

Em outubro de 2023, Manaus registrou a pior seca em mais de cem anos, e a prefeitura decretou emergência ainda no mês anterior. Mais de 600 mil pessoas foram afetadas.

A seca isolou cidades, causou escassez de produtos, racionamento de energia e preços altos de alimentos. As comunidades que dependem da pesca e dos rios para se locomover foram as mais ameaçadas.

A Apiam (Articulação das Populações e Povos Indígenas do Amazonas), que representa mais de 60 Povos da Floresta, pediu que os governos declarem emergência climática por causa da vulnerabilidade dos povos indígenas e das populações tradicionais.

Exemplos

  • Resposta da questão 1a: o Rio Negro é essencial para os povos nativos porque fornece água, peixes para a alimentação e serve de caminho para o transporte entre comunidades.
  • Resposta da questão 1b: com a seca, os povos ficam isolados, sem peixe e sem transporte, faltam alimentos e produtos; a biodiversidade também sofre, pois peixes e outros animais morrem e a vegetação das margens é prejudicada.

4Natureza e formação da identidade

Por que muitas pessoas não querem sair do lugar onde moram, mesmo com guerras, problemas sociais ou catástrofes naturais? As razões vão da falta de dinheiro para se mudar até as ligações afetivas com o lugar e com as pessoas.

Quando os grupos humanos ocupam um território, eles constroem sua identidade ligada a esse lugar, porque as memórias e vivências ficam associadas a ele. Aspectos naturais (relevo, hidrografia, vegetação), construções, cultura e relações humanas formam um senso de pertencimento.

Esse sentimento coletivo se chama identidade cultural. Ela é o autorreconhecimento de uma pessoa como parte de uma organização social e reúne o que distingue um povo dos outros: artes, linguagens, religiões, leis, tradições e regras de convivência.

Mesmo assim, muita gente migra em busca de melhor qualidade de vida. Quem migra costuma levar consigo as tradições do lugar de origem, para manter a identidade e amenizar a saudade. Assim cria novas relações com o espaço que passa a ocupar.

Exemplos

  • Chinatown, em Londres: bairro ocupado por imigrantes chineses que concentra elementos da cultura chinesa.
  • Técnica do enxaimel: construção milenar trazida ao Brasil pelos imigrantes alemães a partir do século XIX. Aparece em Celle (Alemanha) e em Blumenau (Brasil).
  • Resposta da atividade (p. 95): os imigrantes inserem elementos culturais de seus países nos bairros onde moram para manter viva a sua identidade cultural, diminuir a saudade da terra natal e transmitir suas tradições às novas gerações.

Conceitos importantes desta seção

ConceitoSignificadoExemplo
Identidade culturalSentimento coletivo de pertencer a um grupo, com artes, línguas, religiões e tradições própriasBairro Chinatown, em Londres
NacionalidadeGrupo social unido pela mesma origem histórica, língua, tradições e interesses comunsCantar o hino do país e vestir as cores da bandeira
PertencimentoSentir-se parte de um lugar por causa das memórias e vivênciasNão querer sair da cidade natal mesmo com dificuldades
MigraçãoDeslocamento para outra cidade, região ou paísAlemães que vieram ao Brasil no século XIX e trouxeram o enxaimel

5Desastres naturais e ação humana

Com o crescimento das sociedades, as pessoas ocuparam regiões muito diferentes e as transformaram. Por isso, passaram a sentir mais de perto as consequências dos fenômenos da natureza.

Um desastre natural acontece quando um fenômeno natural provoca consequências negativas para as pessoas. Ou seja: o fenômeno em si é natural; o desastre existe porque há gente sendo prejudicada.

Inundações, incêndios florestais e deslizamentos de grandes massas de terra são eventos comuns na natureza, mas impactam diretamente os lugares habitados. As áreas mais afetadas costumam ser as de ocupação irregular e não planejada e as de maior concentração de população.

Nem todo desastre é causado pela ação humana, mas a intensidade pode ser agravada por práticas como o desmatamento, a poluição e a construção de moradias em áreas de risco.

O conhecimento científico ajuda a prever e reduzir danos. Existem materiais que evitam a propagação de incêndios e sistemas de prevenção contra terremotos que diminuem os prejuízos.

Exemplos

  • Deslizamento em São Sebastião (SP): a construção de moradias irregulares nas encostas agravou o desastre natural.
  • Resposta da atividade (p. 98): um deslizamento vira desastre natural quando atinge pessoas, casas ou serviços, causando prejuízos e vítimas. Ações humanas que aumentam o risco: desmatar encostas, construir moradias em áreas de risco, jogar lixo nos terrenos e retirar a vegetação que segura o solo.
  • Resposta sobre o Japão (p. 99): os terremotos japoneses não são causados pelo ser humano, pois acontecem por causa do movimento das placas tectônicas (o país fica acima da fratura da placa do Pacífico Norte). Para enfrentá-los, os japoneses constroem prédios sobre amortecedores eletrônicos ou de molas e usam materiais especiais nas junções, que dissipam a energia do abalo.

Fenômeno natural x desastre natural

SituaçãoÉ desastre?Por quê?
Deslizamento em uma encosta sem moradoresNãoÉ apenas um fenômeno natural; ninguém é prejudicado
Deslizamento em morro com casasSimProvoca perdas de casas e vidas
Chuva forte em área com boa drenagemNãoA água escoa sem causar prejuízos
Chuva forte em cidade com córregos canalizados e pouca área de absorçãoSimGera inundações e destruição

Ações humanas que agravam desastres

Ação humanaConsequência
Desmatamento de encostasSolo solto, mais deslizamentos
Moradias em áreas de riscoMais pessoas atingidas
Impermeabilização do solo e canalização de córregosÁgua não infiltra, aumentam as enchentes
Lixo em ruas e bueirosEntope a drenagem e provoca alagamentos
Poluição e queimadasAgrava incêndios e mudanças climáticas

5.1Dados sobre a crise entre sociedade e natureza

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR) apontam que os eventos extremos, somados ao agravamento das mudanças climáticas, aumentaram os desastres naturais nas últimas cinco décadas.

Os números vêm do relatório Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas de Extremos de Tempo, Clima e Água, divulgado em 2021, e se referem ao período de 1970 a 2019.

O relatório também mostra que esses eventos atingem principalmente os países mais pobres, que têm pouca estrutura de prevenção e menos condições de reduzir os impactos.

No Brasil, dados da Defesa Civil apontam que só no primeiro trimestre de 2025 mais de cinco milhões de brasileiros foram afetados por catástrofes naturais, contando desalojados, desabrigados e atingidos pelas estiagens. Com a crise climática, esses números podem crescer.

Exemplos

  • Leitura dos dados: de cada 100 catástrofes que afetaram as sociedades entre 1970 e 2019, 50 foram desastres naturais — ou seja, metade delas.

Desastres naturais entre 1970 e 2019 (OMM/UNDRR)

IndicadorValor
Das catástrofes que afetaram as sociedades50%
Dos prejuízos econômicos do mundo74%
Das mortes notificadas45%
Desastres atribuídos a eventos climáticos11 mil
Brasileiros afetados só no 1º trimestre de 2025Mais de 5 milhões

5.2Estudo de caso: as enchentes em Belo Horizonte

A região centro-sul de Belo Horizonte (MG) é cercada de morros que funcionam como "paredões". Eles fazem a água da chuva descer e ser direcionada para os centros urbanos.

Além disso, a região é cheia de edifícios e as grandes avenidas ficam nas partes mais baixas da cidade, onde vários córregos foram canalizados e cobertos para ampliar o espaço do trânsito.

Com poucas áreas capazes de absorver a água da chuva, as inundações se tornaram comuns. Aqui aparece bem clara a soma: fator natural (relevo de morros) + ação humana (asfalto e córregos cobertos) = desastre.

Exemplos

  • Resposta da questão 2 (p. 100): os fatores naturais são o relevo cercado de morros, que direciona a água das chuvas para o centro da cidade, e a localização das avenidas nas áreas mais baixas, para onde a água escorre.
  • Ações humanas que agravam: canalizar e cobrir córregos, asfaltar e impermeabilizar o solo, construir muitos edifícios e deixar poucas áreas verdes de absorção.
  • Soluções possíveis (questão 3): construir piscinões e reservatórios de contenção de água da chuva; recuperar e revitalizar córregos; criar mais áreas verdes e usar pavimentos que deixam a água infiltrar; melhorar a limpeza de bueiros e a coleta de lixo.

Enchentes em BH: causa natural x causa humana

OrigemFator
NaturalMorros em volta que direcionam a chuva para o centro
NaturalAvenidas e centro nas áreas mais baixas do relevo
HumanaCórregos canalizados e cobertos
HumanaSolo impermeabilizado por asfalto e edifícios
HumanaPoucas áreas de absorção da água da chuva

6Revisão final: o que você estudou neste capítulo

Este capítulo mostrou que o ser humano e o meio em que vive estão intimamente ligados: um impacta o outro o tempo todo.

Como escreveu o geógrafo Milton Santos, desde o começo dos tempos históricos cada grupo humano construía seu espaço de vida com as técnicas que inventava para tirar da natureza o que precisava para sobreviver. Ao organizar a produção, organizava também a vida social e o espaço.

Ou seja: a relação entre seres humanos e natureza é de transformação e dependência. Nós mudamos o ambiente para viver melhor, mas dependemos dele e sofremos as consequências quando o exploramos sem cuidado.

Exemplos

  • Resposta da questão "Explore seus conhecimentos" (p. 99): a relação entre seres humanos e natureza tem sido de transformação constante. Usamos os recursos naturais para sobreviver e desenvolver técnicas, mas muitas vezes essa exploração é excessiva, causando desmatamento, poluição, mudanças climáticas e mais desastres naturais. Por isso é preciso buscar formas sustentáveis de uso.

Resumo dos quatro grandes temas

TemaIdeia principalExemplos do capítulo
Adaptação humanaO ambiente pode facilitar ou dificultar a ocupaçãoRio Nilo, La Rinconada, Serra Pelada, Maceió
Conexões com a naturezaCada sociedade se relaciona com os recursos de um jeitoKuikuro, inuítes, ecobairro Bedzed, Parque da Tijuca
Natureza e identidadeO lugar onde vivemos forma nosso senso de pertencimentoChinatown, enxaimel em Blumenau
Desastres naturaisFenômeno natural + presença humana = desastre; a ação humana agravaSão Sebastião (SP), Belo Horizonte (MG), terremotos no Japão

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Capítulo 10 – Aspectos naturais e a formação de sociedades

Resumo rápido

Capítulo 10 – Aspectos naturais e a formação de sociedades

Resumo rápido

1Introdução: cidades que nasceram e morreram

Os seres humanos escolhem onde morar e transformam o ambiente para sobreviver. Mas a natureza também interfere na vida das pessoas.

Duas cidades mostram isso bem. Craco, na Itália, foi construída no topo de uma colina para facilitar a defesa, mas terremotos, guerras e falta de comida esvaziaram o lugar.

Kolmanskop, no deserto da Namíbia (África), surgiu em 1908 por causa dos diamantes. Quando as jazidas acabaram, a cidade foi abandonada e a areia tomou conta das casas.

Exemplo

  • Hoje as duas cidades estão vazias, mas viraram pontos turísticos, como Craco, reconhecida como patrimônio cultural mundial.

2Adaptação humana em diferentes circunstâncias

Adaptação é a forma como as pessoas se ajustam ao lugar onde vivem ou mudam esse lugar para viver melhor.

Os elementos naturais que mais influenciam a ocupação são o relevo, a hidrografia (os rios), o clima e a vegetação. Às vezes eles ajudam; às vezes exigem muito esforço das pessoas.

2.1Quando a natureza favorece: os rios

Os primeiros povoados do mundo nasceram às margens de rios, porque os vales férteis permitiam plantar. A água servia para beber, pescar, transportar e vender mercadorias.

Com o tempo, as técnicas agrícolas melhoraram, a produção aumentou e surgiu o comércio de alimentos.

Exemplo

  • Rios Tigre, Eufrates, Nilo e Amarelo: o Nilo foi essencial para a civilização egípcia.

2.2Quando a natureza dificulta: La Rinconada

La Rinconada, no Peru, é a cidade mais alta do mundo. Lá há neve, geada e frio extremo, com temperatura média anual de pouco mais de 1 °C.

Mesmo assim, cerca de 50 mil pessoas vivem ali por causa da mineração de ouro. A ocupação é desordenada: falta água tratada, esgoto e coleta de lixo.

2.3Conexão Brasil: Serra Pelada

A febre do ouro é a migração rápida e em massa de trabalhadores para um lugar onde se descobriu ouro.

Em 1979, no Pará, encontraram ouro na região que virou Serra Pelada. Em pouco tempo chegaram milhares de garimpeiros, e o local se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo, com até 80 mil pessoas.

2.4Para ir além: o sal-gema em Maceió

Nem sempre a mineração chega a lugares vazios. Em Maceió (Alagoas), bairros já habitados foram atingidos pela extração de sal-gema, mineral que fica a mais de mil metros de profundidade.

Retirar esse material deixou o solo sem sustentação e o chão começou a afundar. Até dezembro de 2023, mais de 60 mil pessoas tiveram de sair de casa.

3Diferentes conexões com a natureza

Cada sociedade se relaciona com a natureza de um jeito. Algumas dependem dela diretamente; outras usam tecnologia para se aproximar dela.

3.1Povos da floresta brasileira

Povos da Floresta são grupos que sabem usar os recursos naturais e precisam da mata e dos rios para viver. Inclui povos indígenas e comunidades extrativistas.

Os Kuikuro vivem no Parque Indígena do Xingu (Mato Grosso). Para eles, a vegetação é essencial: serve para construir casas, fazer objetos, realizar rituais e se alimentar.

Exemplo

  • As ocas Kuikuro têm telhado feito de sapé, um tipo de capim tirado da natureza.

3.2Povos originários do Ártico

No Ártico o inverno chega a −50 °C e o gelo do solo quase não derrete. Os inuítes (também chamados esquimós) criaram técnicas para viver nesse frio.

Os iglus são abrigos redondos feitos de blocos de neve compactada. O formato deixa a neve escorrer por fora e conserva o calor por dentro, vindo de agasalhos, fogueiras ou lâmpadas.

Hoje a maioria mora em casas comuns, mas ainda usa iglus na caça e ensina a técnica de pai para filho.

Exemplo

  • As roupas são feitas de tecidos impermeáveis forrados com pele de animais.

3.3Sociedades urbanas

Quem mora na cidade também usa a natureza. Nas últimas décadas surgiram ecovilas e ecobairros, lugares com estilo de vida mais sustentável: energia solar, alimentos orgânicos e casas de madeira reflorestada ou material reciclado.

Outra forma de aproximar as pessoas da natureza é conservar áreas verdes dentro das cidades: parques, jardins botânicos, florestas urbanas, unidades de conservação (UC) e áreas de preservação permanente (APP). Elas melhoram a qualidade de vida e o equilíbrio ambiental.

Exemplo

  • O ecobairro Bedzed, em Londres, tem cerca de 100 casas iluminadas e aquecidas por energia solar e aproveita a água da chuva.

4Natureza e formação da identidade

Ao ocupar um território, as pessoas guardam memórias e vivências ligadas àquele lugar. Assim nasce a identidade cultural: o sentimento de pertencer a um grupo, formado pelo relevo, pelos rios, pela vegetação, pelas construções, pela cultura e pelas relações humanas.

Essa identidade reúne o que distingue um povo dos outros: artes, línguas, religiões, leis e tradições. Já a nacionalidade é o vínculo com o grupo unido pela mesma origem histórica, língua e tradições.

Por isso muita gente resiste a deixar seu lugar mesmo com guerras ou catástrofes. E quem migra costuma levar consigo elementos da sua cultura.

Exemplo

  • A Chinatown de Londres é um bairro de imigrantes chineses cheio de elementos da cultura da China.

5Desastres naturais e ação humana

Desastre natural é quando um fenômeno da natureza traz consequências negativas para as pessoas. Exemplos: inundações, incêndios florestais e deslizamentos de terra.

O desastre nem sempre é causado pelo ser humano, mas pode ser agravado por ações como desmatamento, poluição e moradias em áreas de risco. As áreas mais atingidas costumam ser as de ocupação irregular e com muita gente.

A ciência ajuda a prevenir: existem materiais que evitam a propagação de incêndios e prédios com amortecedores contra terremotos, como no Japão.

Exemplo

  • Em São Sebastião (SP), casas construídas em encostas irregulares agravaram um deslizamento de terra.

5.1Dados da crise entre sociedade e natureza

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a ONU, as mudanças climáticas aumentaram os desastres naturais nas últimas cinco décadas.

Entre 1970 e 2019, os desastres naturais causaram 50% de todas as catástrofes, 74% dos prejuízos econômicos do mundo e 45% das mortes notificadas; 11 mil deles foram ligados a eventos climáticos.

Os países mais pobres sofrem mais, porque têm menos estrutura de prevenção. No Brasil, só no primeiro trimestre de 2025, mais de cinco milhões de pessoas foram afetadas.

6Resumo final: o que você estudou

A adaptação humana em diferentes condições ambientais; as diferentes conexões dos seres humanos com a natureza; a natureza na formação da identidade; e os desastres naturais e a ação humana.

A ideia central: ser humano e ambiente se influenciam o tempo todo. Nós mudamos a natureza, e ela muda a nossa forma de viver.

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